Açores registam diminuição na produção de resíduos urbanos em 2020

A Secretaria Regional do Ambiente e Alterações Climáticas publicou os Relatórios dos Resíduos Urbanos e Não Urbanos referentes ao ano de 2020, onde se regista que a produção de resíduos urbanos (RU), foi de 141.798 toneladas, menos 3.924 toneladas do que no ano anterior, o que representa uma diminuição de 2,7%.

Assim, a produção de RU em 2019 confirmou a tendência de aumento retomada em 2016, depois de dois anos de redução dos quantitativos produzidos (2014 e 2015). 

No ano passado, a produção e RU diminuiu, provavelmente em decorrência da situação pandémica vivida neste período, onde se verificou a diminuição significativa de diversas atividades produtoras desta tipologia de resíduos, como é o caso da restauração e hotelaria, associadas à população flutuante através do fluxo turístico.

Os Relatórios dos Resíduos Urbanos e Não Urbanos fazem o ponto de situação quanto à estrutura de gestão e à produção de resíduos na Região Autónoma dos Açores, bem como analisam o respetivo posicionamento face às metas regionais definidas no PEPGRA – Plano Estratégico de Prevenção e Gestão de Resíduos dos Açores.

Nos últimos anos, o arquipélago progrediu significativamente no tratamento de RU, ao ponto de ter valorizado em 2020, cerca 55% dos RU produzidos, com destaque para a valorização material (reciclagem) que atingiu 21,9% e a valorização orgânica que registou um aumento para 15,9%, enquanto a valorização energética manteve-se nos 17,2%. Assim, a fração de RU eliminados em aterro foi de 45%.

Merece ainda destaque o facto de a Região Autónoma dos Açores ter promovido, exclusivamente no âmbito do SIGRE – Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens, a reciclagem de 65,5 quilos de resíduos de embalagens por habitante, logo a taxa de preparação para a reutilização e reciclagem fixou-se nos 40%. 

Apesar do valor registado estar, ainda, abaixo da meta definida no PEPGRA, considera-se que a evolução foi muito positiva nos últimos anos, com uma alteração muito significativa num curto espaço de tempo do paradigma de gestão de resíduos nos Açores.

De salientar que, se as infraestruturas previstas para a gestão de resíduos na Região Autónoma dos Açores estivessem em pleno funcionamento, em 2020 a Região teria alcançado a meta a que se propôs. 

Contudo, a evolução registada ao longo dos últimos anos permite inferir que o arquipélago fez um esforço significativo para cumprir com as metas do PEPGRA, sendo evidente, através do presente relatório que a ilha Terceira deverá reforçar todo o seu sistema de gestão e resíduos urbanos de forma a aumentar a sua valorização material e orgânica.

Quanto à ilha de São Miguel, terá que aumentar a valorização material e orgânica, sendo fundamental a diminuição dos quantitativos eliminados em aterro. 

Relativamente aos Resíduos Urbanos Biodegradáveis (RUB) eliminados em aterro, estes corresponderam a 58,1% da quantidade de referência. 

Por isso, para o Executivo Açoriano é fundamental continuar o trabalho de informação e sensibilização para prevenção da produção e simultaneamente, reforçar as medidas que visam incutir hábitos de separação na população, quer pela via da sensibilização, quer pela via da implementação de sistemas de poluidor-pagador.

Em paralelo, os projetos em curso, como o projeto-piloto de recolha seletiva de biorresíduos e o sistema de depósito de embalagens não reutilizáveis de bebidas, serão um contributo para o aumento da valorização e mais um passo na estratégia da Região para uma economia circular.

Com a pandemia da covid-19, foram evidentes os impactos na produção e gestão de resíduos, e nesse sentido houve a necessidade de se proceder à suspensão do Tratamento Mecânico e Biológico (TMB) nas ilhas com casos confirmados de infeção, com a consequente eliminação, sem triagem prévia, dos RU indiferenciados.

No que se refere aos Resíduos Setoriais, tendo em conta o efeito da pandemia, registou-se um aumento na produção, sobretudo nas ilhas Terceira e São Miguel.

Porém, o Governo Regional, considera que foi possível garantir a segurança sanitária, sem desprezar a preocupação ambiental. 

Há também, a destacar a taxa de valorização de Resíduos de Construção e Demolição (RCD), na ordem dos 91%.

Relativamente aos resíduos hospitalares, verificou-se um aumento na produção dos resíduos perigosos comparativamente ao ano transato, com um acréscimo de cerca de 14,4%.

Já na produção geral dos fluxos específicos ocorreu uma ligeira diminuição, com menos de 1,9%.

Recorde-se que os Relatórios Síntese dos Resíduos Urbanos e não Urbanos, encontram-se publicados nos seguintes endereços eletrónicos:

Resíduos não urbanos do ano 2020:

Relatório Síntese https://servicos-sraa.azores.gov.pt/grastore/DSR/SRIR_Relatorio_Sintese_2020.pdf

– Corvo https://servicos-sraa.azores.gov.pt/grastore/DSR/SRIR_Relatorio_2020_Corvo.pdf

– Flores https://servicos-sraa.azores.gov.pt/grastore/DSR/SRIR_Relatorio_2020_Flores.pdf

– Faial https://servicos-sraa.azores.gov.pt/grastore/DSR/SRIR_Relatorio_2020_Faial.pdf

– Pico https://servicos-sraa.azores.gov.pt/grastore/DSR/SRIR_Relatorio_2020_Pico.pdf

– São Jorge https://servicos-sraa.azores.gov.pt/grastore/DSR/SRIR_Relatorio_2020_SaoJorge.pdf

– Graciosa https://servicos-sraa.azores.gov.pt/grastore/DSR/SRIR_Relatorio_2020_Graciosa.pdf

– Terceira https://servicos-sraa.azores.gov.pt/grastore/DSR/SRIR_Relatorio_2020_Terceira.pdf

– Santa Maria https://servicos-sraa.azores.gov.pt/grastore/DSR/SRIR_Relatorio_2020_SantaMaria.pdf

– São Miguel https://servicos-sraa.azores.gov.pt/grastore/DSR/SRIR_Relatorio_2020_SaoMiguel.pdf

AA/GRA