As duas religiosas presentes no Santuário do Senhor Santo Cristo deixam os Açores no verão

A congregação das Religiosas de Maria Imaculada vai deixar a ilha de São Miguel no próximo verão, anunciou a superiora da Comunidade radicada no Convento da Esperança, Ir. Célia Faria,  ao programa de rádio Igreja Açores.

“Temos de saber ler os sinais dos tempos  e o que eles nos dizem é que a nossa presença carismática perdeu o grande significado que tinha há alguns anos atrás e, se calhar hoje somos mais necessárias noutras comunidades” explica a religiosa desta Congregação que, em Portugal, cativou tantas jovens ao longo dos anos. A maioria das religiosas portuguesas presentes na congregação é efetivamente natural dos Açores, sobretudo de São Miguel,  onde a Congregação teve três casas, primeiro em São Pedro, em Ponta Delgada (8 anos); depois no Santo Cristo e também em Vila Franca do campo, onde aliás fundou uma cooperativa de artesãs ligadas aos bordados das Capas do Senhor Santo Cristo dos Milagres.  Além do acolhimento de crianças e jovens de famílias mais desprotegidas e também de jovens deslocadas de outras ilhas, para trabalho ou estudo, zelar pela Imagem e pelo culto do Senhor Santo Cristo foi uma das suas missões.

“Vamos sair com pena nossa do Convento da Esperança mas, de facto, somos precisas noutro lado e aqui a nossa missão já não faz tanto sentido” refere  a religiosa ao sublinhar a gratidão por estas décadas de presença.

“Os Açores vão estar sempre no centro da nossa missão e da nossa vocação porque o balanço é muito positivo, sobretudo quando ouvimos o testemunho de famílias inteiras a agradecer-nos o que aprenderam e o quanto lhes demos enquanto família” , mas “também nós agradecemos o muito que nos permitiram fazer”.

“Quando viemos para a ilha viemos para dar continuidade à obra do Patronato de São Miguel, que apoiava um grupo de crianças de famílias carenciadas. Fizemo-lo e de forma significativa, julgo eu. Tínhamos o internato, depois a residência de estudantes trabalhadoras, sobretudo de fora de São Miguel, mas também de outros concelhos de São Miguel. As famílias confiavam-nos os seus filhos e chegámos a ter na década de 80 cerca de 80 jovens. Há três anos fechámos esta valência” adianta a religiosa Célia Faria, que não rejeita também esta necessidade de sair pelo facto de cada vez as comunidades serem mais pequenas.

“Também não poderemos nunca esquecer esta grande missão que nos foi confiada e pedida, que foi zelar pelo culto ao Senhor Santo Cristo.  O apoio, o acolhimento, a escuta, a oração dos peregrinos, e por eles, foram para nós momentos de grande graça. Sentimo-nos instrumentos de fé e de devoção ao longo destes anos” refere ainda ao lembrar a religiosa Irmã Beatriz que, durante mais de 40 anos, foi a grande zeladora desta Imagem e deste culto.

Com a saída desta Congregação passam a ser apenas 11 os institutos de vida consagrada presentes na diocese de Angra, entre eles dois masculinos, mas todos eles com número cada vez mais reduzido de elementos.

A Congregação da religiosas de Maria Imaculada, fundada em 1876 por Vicenta Maria, possui cinco casas em Portugal que formam uma das duas regiões da estrutura das Religiosas de Maria Imaculada. O “governo” da Congregação está sediado em Roma, onde se encontra a Madre Geral; a Casa mãe é em Madrid, onde ainda hoje se faz o pré noviciado e noviciado europeu, mas a congregação está presente em quatro continentes e dispõe de 12 provinciais e uma sub província.

Além das casas semelhantes à que existe nos Açores, a Congregação possui ainda os Lares Vicenta Maria, destinados a crianças excluídas pelas famílias, a quem é preciso dar um lar,  e escolas de formação profissional noturnas, destinadas a homens e mulheres que procuram formação.

A identidade que marca esta congregação é a  espiritualidade de Vicenta Maria, fundadora, uma mulher com um profundo amor a Jesus, nas duas vertentes contemplativa e ativa.

Santa Vicenta Maria foi beatificada por Pio XII em 1950 e canonizada por Paulo VI em 1975. Morreu com 43 anos de idade.

AA/IA