Atividade sísmica mantém-se muito acima do normal

Segundo os últimos dados da crise sismovulcânica na ilha de São Jorge, ao longo do dia 25 de maio, a análise preliminar dos registos sísmicos permitiu contabilizar cerca de 307 eventos, tendo a atividade sísmica aumentado em relação ao observado no dia anterior​​. Entre as 00:00 e as 22:00 de hoje, dia 26  de maio, foram contabilizados aproximadamente 169 eventos. A maioria dos sismos registados até ao momento são de baixa magnitude e evidenciam uma origem de natureza tectónica.

Segundo o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) a crise sismovulcânica que se tem vindo a registar na ilha de S. Jorge desde as 16:05 (hora local = UTC-1) do dia 19 de março se mantém, estendendo-se, grosso modo, ao longo de uma faixa com direção WNW-ESE, desde a Ponta dos Rosais até à zona do Norte Pequeno – Silveira.

O sismo mais energético desta crise ocorreu no dia 29 de março, às 21:56 (hora local = UTC), teve epicentro a cerca de 2 km a SSW de Velas e uma magnitude 3,8 (Richter). Até ao momento foram identificados cerca de 282 sismos sentidos pela população, tendo sido já ultrapassados os 35.900 sismos registados na rede do CIVISA, desde 19 de março.

A campanha de medição de gases e temperatura no solo que o CIVISA vem desenvolvendo desde o início desta crise na área epicentral não resultou, até à data, na identificação de qualquer anomalia, continuando os levantamentos de campo a decorrer nos próximos dias.

No âmbito da monitorização geodésica, o CIVISA, em colaboração com outras entidades, reforçou a rede de observação baseada em estações GNSS e continua a proceder ao tratamento de imagens de satélite. Os últimos dados disponíveis não revelam qualquer deformação significativa.

A integração da informação disponível permite concluir que as estruturas tectónicas onde se desenvolveram as erupções históricas de 1580 e 1808, e a crise sismovulcânica de 1964, no Sistema Vulcânico Fissural de Manadas, foram reativadas, sendo de admitir a ocorrência de uma intrusão magmática em profundidade.

O CIVISA alerta para a possibilidade de ocorrência de sismos que podem atingir magnitudes mais elevadas do que as registadas até ao momento, assim como para o perigo de ocorrência de derrocadas potenciadas pela atividade sísmica. Existe a possibilidade real de se poder vir a registar uma erupção vulcânica, mas não há evidências de que tal esteja iminente.​​

AA/CIVISA