Autonomia trouxe enormes avanços mas é preciso uma economia diferente que garanta o respeito pelos direitos de quem trabalha

Nas celebrações dos 45 anos da autonomia regional, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda afirmou que pode parecer uma utopia pensar nos Açores como “uma região autónoma com uma democracia plena, uma região onde se trabalha com direitos, sem pobreza e sem desigualdades, onde homens e mulheres são respeitados de igual modo, uma região que tenha a preservação do ambiente e dos ecossistemas como pedra de toque”, mas salienta que “é a utopia e a sua persecução que permitem a superação das injustiças que persistem”.

Num discurso feito no parlamento, na presença do Presidente da República, António Lima referiu que “a autonomia é também uma das conquistas de abril e é fruto da Constituição que a instituiu e consagrou”, e saudou todos os que lutaram pela democracia e pela liberdade.

António Lima disse ainda que “45 anos de Autonomia significaram enormes avanços sociais, económicos e culturais que importa saudar no dia de hoje”, mas salienta que “os desafios que se colocam aos Açores na próxima década são colossais e foram agravados pela pandemia e seus efeitos”.

A chave para ultrapassar as dificuldades é ter “uma economia diferente”.

“A economia que ainda subsiste é uma economia que leva, como ouvimos tantas vezes por estes dias, a que se exija o corte de apoios sociais para continuar a pagar salários de miséria em vez de melhorar as condições de trabalho”, assinalou o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, lembrando que “este é o sinal claro de um tecido económico medíocre que não subsiste a não ser pela exploração de mão de obra barata”.

“Uma economia que para sobreviver precisa que os trabalhadores sejam pobres e os desempregados miseráveis não serve aos Açores”, vincou o deputado.

“E este não é um desejo utópico, é possível havendo respeito por quem trabalha e através de um percurso concreto assente recursos e potenciais dos Açores”, como, por exemplo, o enorme potencial das aplicações inovadoras do conhecimento que temos sobre o mar profundo, como o desenvolvimento de instrumentos, produtos e patentes.

“Mas só com a capacidade científica de conhecermos o que nos rodeia e de ombrearmos com os principais atores na investigação da mais desconhecida parte do planeta podem os Açores aspirar a ser pouco mais do que espectadores desse processo”, disse ainda António Lima.

AA/BE