BE acusa governo de manter as políticas erradas seguidas pelo anterior Governo do PS

O Bloco de Esquerda considera que o governo do PSD, CDS e PPM, apoiado pelo PPM e pela IL, “no essencial, continua as políticas seguidas pelo anterior governo do PS”: não tem medidas para combater a pobreza, mantém a aposta numa economia assente em sectores onde predominam os baixos salários em vez de apostar na educação, na ciência e no conhecimento, fomenta o trabalho precário ao apoiar as empresas para contratar a prazo, e não dá resposta às dificuldades provocadas pela pandemia.

Na intervenção inicial do debate do Plano e Orçamento, António Lima anunciou que o Bloco de Esquerda vai apresentar “várias propostas que pretendem minimizar os efeitos dos caminhos errados” apontados pelo atual governo.

A começar pelo combate à pobreza, um problema que atinge um terço da população dos Açores, com especial incidência nas crianças e nos idosos – ou seja, “aqueles que ainda não podem ou que já não podem trabalhar” – e a quem o governo não tem coragem para dar resposta.

Para responder, no imediato e de forma concreta, a esta população mais frágil, o Bloco propõe o aumento do complemento ao abono de família para os 30 euros e o aumento de 15 euros para as pensões mais baixas.

O combate à precariedade – que atinge mais de 22% dos trabalhadores açorianos e que é um fator que contribui para o aumento de situações de pobreza – é outra das prioridades do Bloco de Esquerda.

Perante o relatório do Tribunal de Contas de 2019 que “arrasou os programas de emprego e de combate à precariedade criados pelo governo do PS, considerando que a maioria ‘fomenta, essencialmente, a criação de vínculos laborais precários’”, seria de esperar que este governo alterasse os programas “para garantir um efetivo combate à precariedade”, mas em vez disso o governo “opta por continuar com a atribuição de apoios públicos às empresas para contratarem a prazo”.

Na Saúde, a promessa deste Governo de que iria acabar com a suborçamentação do sector “foi sonante, mas na prática vai ficar tudo como no passado”.

Apesar de reconhecer que “o parque de equipamentos clínicos distribuídos pelos Hospitais e unidades de saúde de ilha está na generalidade, obsoleto”, o Governo aumenta apenas em 200 mil euros as verbas para investimentos nesta área. “Se não fosse dramático, diria que era uma brincadeira”, lamenta António Lima.

No combate à pandemia e na resposta à crise social e económica também “nada se vê de diferente para melhor”, em relação ao anterior governo, assinalou o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, que considerou não haver “clareza, coerência nem assertividade nas medidas aplicadas”.

AA/BE