Bispo de Angra apela aos cristãos para cumprirem as regras ditadas pelas autoridades de saúde

A Conferência Episcopal Portuguesa emitiu uma orientação no sentido de se acatarem as regras ditadas pela autoridade de saúde nacional e deixou um apelo para que as celebrações religiosas com fieis mantenham todas as regras em vigor desde o inicio da pandemia, sugerindo que batizados, casamentos e outras celebrações, que possam potenciar aglomerações de pessoas no final das celebrações, possam ser evitadas.

Na diocese de Angra não haverá uma orientação geral mas D. João Lavrador, em declarações ao Igreja Açores, afirma que está de acordo com esta orientação e congratula-se pelo facto do Governo Regional ter excetuado das proibições de circulação as deslocações para e de atos de culto.

“Atendendo a que a realidade é muito diversa de ilha para ilha, e que a situação é muito grave em São Miguel, e tal como o Governo adaptou as decisões em função da realidade de cada ilha e de cada concelho, também nós na diocese o fizemos” refere o bispo de Angra.

“E se não há qualquer lei que impeça a deslocação das pessoas para uma celebração religiosa não seremos nós a impedir que elas possam participar. O que pedimos é que os cristãos sejam os primeiros a darem o exemplo, isto é, que respeitem as regras que estão em vigor desde maio passado”.

Recorde-se que na altura se definiu que as igrejas apenas teriam um terço da sua ocupação; na missa apenas as pessoas do mesmo agregado familiar poderiam ficar juntas- as restantes teriam de observar distanciamento físico de metro e meio-; a higienização das mãos à entrada e saída da Igreja; a comunhão na mão, desaconselhando-se, então, os grupos de risco a participar nas celebrações.

“A norma geral é esta, mas deve-se fazer tudo por tudo para evitar aglomerados de pessoas. Naquelas situações, como as que existem em São Miguel, nomeadamente nas ouvidorias de Vila Franca e Ribeira Grande , competirá à ouvidoria ou à paróquia averiguar se há situações que ponham em causa a saúde publica, e aí tem que haver restrições e até o cancelamento de todas as celebrações. Agora não há uma norma única, temos de ver caso a caso e todo temos que contribuir para ajudar a mitigar esta situação, e até a ultrapassá-la”, esclarece ainda.

“Nós desaconselhamos celebrações que possam concorrer para o agravamento da pandemia. Se houver necessidade, em situações limite, também sou de acordo que se deve desaconselhar estas celebrações; agora uma coisa é desaconselhar outra é proibir. Se há possibilidade de se fazer a celebração e se não está posto em causa o direito de participação nela não vamos cancelar nada. O que pedimos, insisto, é que todos respeitem as regras”.

Quando decretou o recolher obrigatório ao fim de semana, na ilha de São Miguel, no passado dia 6, no âmbito do Estado de Emergência, devido ao aumento do número de casos de infeção por Sars-Cov2, uma das exceções ao recolher obrigatório a partir das 15h00 é a possibilidade deslocação para a Igreja e da Igreja para o domicilio.

Na segunda e terça feiras, a ouvidoria da Ribeira Grande decretou a suspensão de casamentos, batizados e comunhões, mantendo apenas missas e funerais e a ouvidoria da Vila Franca determinou o cancelamento de todas as celebrações até dia 23, bem como o encerramento de igrejas paroquiais e ermidas.

Em causa está o aumento inusitado do número de casos e cadeias ativas em duas das paróquias destas ouvidorias nomeadamente Rabo de Peixe na costa norte da ilha, na ouvidoria da Ribeira Grande e em Ponta Graça, na costa sul. Ambas as freguesias estão com uma cerca sanitária.

AA/IA