Bloco de Esquerda denuncia teia de interesses e relações familiares na administração do HDES e leva o assunto ao parlamento

O Bloco de Esquerda denunciou a existência de uma “teia de interesses e de relações familiares” que envolvem a presidente do conselho de administração e o diretor clínico do Hospital de Ponta Delgada, e anunciou que vai levar o assunto ao parlamento.

“Existem nomeações feitas por este conselho de administração que claramente indiciam favorecimento de familiares de membros do próprio Conselho de Administração”, incluindo a nomeação da cônjuge do diretor clínico para diretora do serviço de endocrinologia e a nomeação do cônjuge da presidente do conselho de administração para vários cargos no hospital: responsável da Unidade de Epidemiologia Clínica, Controlo Infeção, Investigação e Informação Saúde, vogal da Comissão de Emergência para a Pandemia de COVID19, e vogal da Comissão Técnica para a Pandemia da COVID19.

O médico em questão, Mário Freitas, cônjuge da presidente do Conselho de Administração do hospital, “não tem vínculo ao HDES, mas é o médico responsável pela saúde ocupacional no HDES através de uma empresa que pertence a familiares diretos do diretor clínico do hospital, onde o próprio diretor clínico do hospital trabalha em acumulação ilegal de funções”, explicou António Lima, deputado do Bloco de Esquerda.

“Essa acumulação de funções do Diretor Clínico do HDES na empresa de seus familiares que detém uma relação contratual com o HDES coloca totalmente em causa a sua isenção e imparcialidade”, concluiu.

“Estamos perante uma teia de interesses e de relações familiares que muito provavelmente viola a legislação em vigor, para não falar dos princípios éticos e de defesa do interesse público que devem nortear a atuação dos titulares de cargos públicos”.

Além desta questão, o Bloco de Esquerda quer também esclarecimentos sobre o alegado ataque informático ao hospital, sobre as tentativas de condicionamento da atividade sindical denunciadas pelo Sindicato Independente dos Médicos, e sobre a gestão da comunicação do hospital através de anúncios em redes sociais pagas diretamente pela presidente do conselho de administração.

Relativamente ao ataque informático, o deputado do Bloco estranha a ausência de intervenção do secretário regional da Saúde, que trata deste assunto “que, a ser verdade, constitui um crime gravíssimo de ciberterrorismo, como se fosse apenas um computador que avariou”, estranha o “despedimento do diretor dos serviços de informática sem que tenham ainda sido apuradas responsabilidades”, e estranha que ao fim de dois meses não se saiba “que investigações estão em curso e que entidades judiciais e policiais estão a intervir”.

O Bloco de Esquerda enviou uma pergunta ao Governo sobre este assunto há um mês, mas ainda não obteve resposta.

António Lima referiu ainda que “existe um claro clima de litígio permanente entre o conselho de administração e os seus profissionais, o que coloca em causa o bom funcionamento desta instituição” e dá como exemplo as denúncias do Sindicato Independente dos Médicos, que aponta “tentativas de intimidação e condicionamento da atividade sindical”.

“Fala-se em atuações pidescas, em purgas, perseguições e despedimentos, acusações demasiado graves para que não sejam esclarecidas a fundo. Algumas das denúncias são acima de tudo incompatíveis com a democracia e o estado de direito”, disse o deputado.

Para esclarecer “todos estes graves problemas” o Bloco anunciou que vai propor a audição no parlamento da presidente do conselho de administração do HDES, o Secretário Regional da Saúde e Desporto, o Sindicato Independente dos Médicos, e os representantes das ordens dos médicos e enfermeiros.

António Lima acredita que, se houver vontade de esclarecer estas situações, as propostas de audições serão aprovadas, e que uma eventual rejeição da realização destas audições, por parte dos partidos da maioria, só poderá ser entendida como uma “tentativa de manter a opacidade”.

AA/BE