Bloco quer saber se demissão no HDES está relacionada com “lealdade e confiança política”

O Bloco de Esquerda quer esclarecimentos do Governo Regional sobre as razões que levaram à demissão do conselho de administração do Hospital de Ponta Delgada, nomeadamente se esta surgiu no seguimento da avaliação da “lealdade e confiança política” anunciada publicamente pelo secretário regional da Saúde.

No passado dia 16 de dezembro, o secretário regional da Saúde e Desporto anunciou a demissão do conselho de administração do Hospital do Divino Espírito Santo, sem, no entanto, justificar os motivos que levaram a esta decisão.

Numa entrevista à Rádio Açores TSF e ao Açoriano Oriental, publicada no passado dia 17 de janeiro, o secretário regional disse que o governo entendeu “que, num período exigente como é uma pandemia, num período em que vai abrir um hospital privado e perante um conjunto de situações que chegam ao conhecimento da tutela de instabilidade no serviço, é importante que haja uma consonância e coesão com a tutela e com os princípios que estão determinados”.

Quando solicitado a concretizar os motivos para a demissão, o secretário regional da Saúde e Desporto apontou “queixas e reclamações com tempos de espera”. No entanto, se esta fosse a principal justificação, os concelhos de administração dos restantes hospitais da região teriam sido também demitidos, uma vez que os tempos de espera também não são cumpridos nesses hospitais.

Perante estas sucessivas declarações do secretário regional da Saúde o Bloco de Esquerda quer saber em que princípios não se verificou a “consonância e a coesão” do anterior conselho de administração do HDES com o Governo, a que situações de “instabilidade no serviço” se referia o secretário regional, em que medida a abertura de um novo hospital privado interfere na gestão do hospital público, e que relação pretende o governo estabelecer entre as duas instituições de saúde, se foram avaliados os possíveis efeitos negativos da mudança de conselho de administração do hospital da ilha mais afetada pela covid-19 e no momento mais crítico desde o início da pandemia, e se os membros do novo conselho de administração cumprem os requisitos de “lealdade e confiança política” definidos pelo Governo, e com base em que critérios foi feita esta avaliação.

AA/BE