Câmara apresenta projeto “Mão em Mão” a 3 e 8 de fevereiro

No âmbito da Candidatura de Ponta Delgada|Açgores Capital Europeia da Cultura 2027 (Azores 2027), a Câmara Municipal vai apresentar o projeto “Mão em Mão” – O Poder de Inspirar” em dois webinar, a realizar a 3 e 8 de fevereiro.

“Mão em Mão” é um projeto de criação e fortalecimento de comunidades, abrindo a porta para líderes, coordenadores, animadores, artistas educadores e ativistas tomarem a responsabilidade nas mãos e criarem as suas próprias iniciativas de base que promovam a descentralização, a valorização das nossas narrativas e o acesso equitativo à Cultura de diferentes públicos.

Trata-se de uma convocatória aberta, no âmbito da candidatura Azores 2027, em parceria com a CRESAÇOR – Cooperativa de Economia Solidária, que apoiará nove projetos desenvolvidos na Região, promovidos por agentes nos Açores. Este programa-piloto apoia atividades e projetos que promovam a cooperação e colaboração entre ilhas e concelhos; a aproximação entre diferentes gerações; a inclusão, a participação ativa e/ou capacitação de diferentes comunidades; a relação da Cultura com o bem-estar, a Natureza e Sustentabilidade; novas formas de contar as narrativas dos Açores à Europa e ao Mundo.

O projeto foi criado para responder a algumas dessas necessidades e, através da partilha de recursos, pretende impulsionar o cruzamento da Cultura com outros domínios da sociedade.

Links para o webinar: https://zoom.us/j/95730211548?pwd=bDJEN05PZEFiNDRvK2lxTUIxRC9SUT09 e https://zoom.us/j/94762364040?pwd=cTlVY0VBY0ZRc3FsY0RxSlhwRVVMUT09.

O primeiro webinar

A 3 de fevereiro, Ana Silva, Diretora Técnica da Cresaçor, apresentará os projetos Herbário Comunitário dos Açores – Bruno Marquez; Piquenique na Guerra – Sara Santos; Bússola – Joel Fernandes; Rede de Memórias – Vânia Chagas; O Mar da Saudade – Frederico O`Neil (em substituição de Pedro Bautista).

O projeto “Herbário Comunitário dos Açores” aprofundou o conhecimento sobre a flora nativa e endémica dos Açores, como uma forma de aceder e divulgar o património natural do arquipélago. Assim, realizou-se a confeção de um Herbário Comunitário para a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), através do trabalho de campo e a recolha dos espécimes, como uma via para a construção do conhecimento a partir da própria experiência e relação com o território.

“Piquenique na Guerra”, do escritor e cineasta espanhol, Fernando Arrabal, é a primeira peça escrita pelo autor. Trata-se de uma escrita precisa, crítica, que desmonta o absurdo da guerra com uma surpreendente e uma amarga ironia. Passadas tantas décadas, a obra mantém-se atual, a banalização da vida e da morte continua a acontecer nas ruas, no mundo e ao nosso lado, comprovando a genialidade do autor.

A atividade do grupo foca-se na comunidade em que se situa – a ilha. Tanto a ilha como o grupo são profundamente marcados pela abertura ao exterior, e também porque essa ligação é a marca de uma cultura consciente e crítica num mundo global.

“Bússola” relaciona-se com o ‘objeto’ bússola que, juntamente com o auxílio da rosa dos ventos exibida no seu interior, distinguiram-se sobretudo na época dos Descobrimentos, como um inovador instrumento de navegação, de orientação geográfica e localização. A ideia e a ambição do projeto seria colocar em cada uma das ilhas do arquipélago e em pontos estratégicos de espaço público de fronte para o oceano, uma bússola informativa e interativa no pavimento que comunicasse territorialmente com as bússolas das outras ilhas ou com outros pontos geográficos que tenham tido ou têm relação com os Açores. Cada bússola de cada ilha apresentaria um grafismo diferente com informações das ilhas vizinhas e e outros pontos do globo. Todo o público circularia livremente em cima da bússola em interação e de forma didática.

Já “Rede de Memórias” nasceu da vontade de preservar estas histórias, os fiapos de um movimento ao mesmo tempo diário e secular. Para que mais tarde, num denodo de partilha, se possa ir aí buscar um pedaço daquilo que é a nossa ilha e o nosso arquipélago. Esta primeira abordagem do projeto centra-se nas ilhas do Corvo e das Flores. Neste ocidente que é o começo e não o fim de um território tão atlântico como europeu. Os depoimentos voluntários foram recolhidos em registo sonoro (gravação) e em registo fotográfico. Todo o material recolhido encontra-se aqui partilhado, espécie de recetáculo das vivências, criando assim uma verdadeira rede de memórias (https://rededememorias.wordpress.com/).

Quanto a “O Mar da Saudade”, é um projeto teatral que nasceu da união de duas companhias de Teatro da Macaronésia. De um lado, o Teatro Vice-Versa de São Miguel e do outro Teatro Bolo de Caco da Ilha do Funchal. Transformados em parceiros para as candidaturas dos Açores e da Madeira 2027 Capital europeia da Cultura, estamos a desenvolver diferentes projetos, tentando conhecer e aproveitar as capacidades e pontos fortes de cada companhia, provando que, apesar dos quilómetros de distância entre nossas ilhas, há muito mais sinergias, empatias e semelhanças do que coisas que nos diferenciam.

O segundo webinar

A 8 de fevereiro, Henrique Constância apresenta “Vira, Mozart!”. Um projeto que visa a troca de experiências entre pessoas que partilham o gosto pela música, integrando, em harmonia, a música clássica e a música de raiz popular, tradicional, em particular da ilha de S. Miguel. O grupo musical Mankes Piano Quartet, vindo de Amesterdão, traz música clássica, nomeadamente de obras de Mozart, peças musicais que partilham muitas características da música popular. Este grupo internacional deverá promover oficinas musicais e vir ao encontro de grupos de música tradicional em duas comunidades de concelhos de São Miguel, designadamente, Lagoa: Grupo de Folclore “O Grujola” Ribeira Grande: Grupo de castanholas de Rabo de Peixe Ao longo de um dia, os grupos participantes irão conviver e realizar ensaios em conjunto com os músicos visitantes, tendo oportunidade de apresentar a sua música e ter um contacto próximo com géneros musicais que não fazem parte do seu dia a dia. Todos os participantes interpretarão uma peça tradicional, ensinada pelo grupo local, seguida da interpretação de uma obra de Mozart, onde os elementos do grupo local serão convidados a improvisar e “imitar”. Os elementos dos grupos deverão fazer uma apresentação dos seus instrumentos musicais, realçando aspetos técnicos a execução, e dando relevo às técnicas específicas dos instrumentos tradicionais. O dia de trabalho e de partilha, culminará com um concerto aberto a toda a comunidade, sem palco, onde todos os participantes se envolvem no espaço onde a música será produzida, criando uma experiência auditiva de grande proximidade dos sons e dos seus intérpretes.

Segue-se Luís Senra, com “Natureza Reconetiva”, uma intervenção social na área musical que utiliza a natureza como ponto de partida para realizar um trabalho de consciencialização e atenção àquilo que está à nossa volta e dentro de nós.

O desenvolvimentos destas atividades permitiu aos seus intervenientes um redescobrir de uma consciência sobre a natureza, a forma como ela é percecionada, a sua importância e ainda como se pode partir dela para aprender a gerir emoções, refletir sobre a vida, a sociedade e a educação, a ouvir, a falar, a dar espaço ao outro, respeitando-o e a ser criativos e imaginativos, tendo aqui o natural um papel de impulsionador da criança interior e a desconstrução de idealizações impostas pela sociedade e que muitas vezes criam isolamento ou exclusão.

Entre todas as descobertas, partilha-se o mais importante que a Natureza é suficiente para nos trazer de regresso a nós mesmos e que o processo de cada um é válido e importante em si mesmo, não havendo lugar para certo ou errado, mas apenas para a evolução pessoal, com criatividade, imaginação e honestidade (https://natureza-reconectiva0.webnode.pt/fbclid=IwAR3VsYMaenRPMVCazJUisFbdx1Ptg5n0l0YKvxH_Mw6UpY7VyHkIEyml0tQ).

Cláudia Camacho traz “Devolver a Raiz ao Quadrado”, uma proposta inovadora, no âmbito olfato-gastronómico (smell and taste), desenvolvida pela primeira mulher perfumista independente em Portugal, Cláudia Camacho, e pelo antropólogo gastronómico, Nuno Miguel Dias (redator da revista Vogue na área da gastronomia).

Já Nuno Malato apresenta “Contra Postal”, que se propõe desenvolver, num ato de contraponto crítico e construtivo de consciência, a edição de um “contrapostal”. Utilizando o impacto de imagens síntese, queremos aprofundar de forma sistemática, temas e domínios interligados que constituem o complexo território arquipelágico dos Açores. Numa perspetiva de redescoberta e desenvolvimento contemporâneo, onde a ponte entre o passado e futuro têm um lugar indispensável.

“Contrapostal” direciona-se naturalmente aos visitantes deste arquipélago e aos habitantes que inevitavelmente serão captados pelo olhar, mesmo que o possam adquirir em menor número.

AA/CMPD