Centro Cultural acolheu ação de sensibilização “Associativismo Juvenil: Que desafios?”

O Centro Cultural de Vila Franca do Campo recebeu a ação de sensibilização dedicada ao tema “Associativismo Juvenil: Que desafios?”.

O evento promovido pela CPCJ de Vila Franca do Campo, em parceria com a Câmara Municipal, teve como orador o Diretor Regional da Juventude, Dr. Eládio Braga, e contou com intervenções do Presidente do Município e da Presidente da CPCJ do Concelho, Rute Santos.

Na ocasião, Ricardo Rodrigues, fez notar o seu orgulho em Vila Franca do Campo ser um Concelho “em que o associativismo não é uma palavra vã”, em que todas as freguesias têm pelo menos uma associação e, por regra, associações de juventude, sinónimo de vitalidade e de que os jovens têm uma atividade salutar.

O Autarca lembrou que o último ano e meio trouxe problemas acrescidos e pediu a especial atenção das associações, cuja função vai ser determinante para “recuperar a energia e atividade dos nossos jovens”.

Ricardo Rodrigues referiu que a juventude foi “um dos alvos mais atingidos pela pandemia”, não sendo desejável que os jovens fiquem limitados na sua mobilidade, espontaneidade e liberdade e considerou que a tenacidade das organizações e dos líderes locais vai ser essencial para ultrapassar as dificuldade sentidas pelos jovens.

Por último, agradeceu o trabalho e esforço das associações nos últimos anos no Concelho e deu conta da disponibilidade da Autarquia para apoiar em alguma necessidade com que se deparem, fazendo ainda um apelo a que o Conselho Municipal de Juventude possa ser recuperado.

Entretanto, o Diretor Regional da Juventude, Dr. Eládio Braga, observou que o século XXI trouxe ao movimento associativo “importantes e difíceis obstáculos, decorrentes das características das novas gerações e do avanço tecnológico e digital, que alterou estruturalmente a forma como vivemos no dia a dia”.

“Os jovens das novas gerações são caraterizados pela imediatez e improviso, não assumem compromissos de longo prazo e têm uma grande capacidade de adaptação face às alterações bruscas do mundo que as rodeia”, apontou, acrescentando que dominam o mundo digital e relacionam-se mais através do mundo online do que por reuniões físicas.

Para além disso, referiu que o mundo digital influi diretamente em dois aspetos: por um lado, facilita a conexão global, o que diminui a necessidade do ajuntamento físico e, por outro lado, as novas tecnologias ocupam muito espaço temporal dos jovens.

De acordo com Eládio Braga, estes fatores, “aliados a uma constante desvalorização do potencial dos jovens confluem para uma gradual redução dos jovens inscritos em associações juvenis”.

Por conseguinte, o Diretor Regional da Juventude reiterou que “é urgente trilhar novos caminhos e soluções”, que passam pela valorização da ação dos jovens e do seu potencial; a adequação das normas das associações formais juvenis; ou, ainda, o reforço do apoio dado aos grupos informais de jovens.

Em termos de políticas públicas para a juventude, Eládio Braga disse ser primordial dar dignidade e mérito à participação juvenil, pois “a auscultação da opinião dos jovens e o seu efetivo reconhecimento, terá o efeito multiplicador nos mais novos, que tenderão a mobilizar mais jovens para uma intervenção significativa e afiliação em organizações juvenis”.

Neste sentido, afirmou que o Conselho de Juventude dos Açores tem de ser encarado como a voz da juventude açoriana junto da administração pública regional e os seus pareceres e opiniões têm de ser base importante para a tomada de decisão.

Para além disso, “é essencial que as Câmaras Municipais dinamizem a participação juvenil, e criem condições para que a juventude seja transversal em todos as suas políticas”, ganhando especial destaque a existência e dinamização dos Conselhos Municipais de Juventude.

Por seu turno, a Presidente da CPCJ de Vila Franca do Campo, Dr.ª Rute Santos, considerou relevante escutar e refletir sobre o que mudou com a pandemia, e como se poderá atuar no pós-pandemia, de forma a continuar a dar a cada criança e jovem a orientação mais adequada ao seu processo evolutivo.

Nesta caminhada, “não podemos esquecer o papel orientador da família e a da sociedade”, apontou, acrescentando que as entidades públicas devem continuar a conferir primazia ao associativismo juvenil, “pois este é um meio por excelência do exercício da cidadania, onde se desenvolvem valores, ideais de pertença e de vivência em comunidade”.

AA/CMVFC