Conheça a história de Angra do Heroísmo

Há 260 anos, a 7 de agosto de 1760, embarcam os padres jesuítas que estavam no colégio da cidade de Angra na Ilha Terceira.

Havia, a Câmara da cidade de Angra, recebido uma carta, assinada pelo conde de Oeiras, Sebastião José de Carvalho, recomendando-lhe guardasse a coleção de leis e breves pontifícios promulgados contra a violência dos jesuítas nos domínios de Portugal, o que se fez no 6.º livro do tombo.

Uma nau portuguesa e um navio estrangeiro de transporte, desembarcaram oficiais a conferenciar com o governador do Castelo. Salvou a nau e respondeu o Castelo. No colégio dos Jesuítas celebrava-se uma festa anual, com a costumada pompa, nesse dia. O orador, que fora o próprio reitor, falou largamente sobre a ingratidão dos homens e as perseguições por amor da justiça, arrancando lágrimas aos ouvintes, como se algum pressentimento houvesse do que ia acontecer.

No dia imediato, tomadas as devidas precauções, acabada a missa e sermão da festividade, foram os padres intimados para imediatamente se embarcarem a bordo da nau surta no porto; e sem mais tempo algum, nem sequer para se despedirem de suas celas, saíram em número de doze, recitando o salmo: «In exitu Israel de Egipto»; e desta forma se embarcaram, procedendo o corregedor a sequestros e apreensão de tudo que possuíam, tanto neste ilha como nas demais, donde também foram expulsos para diferentes países.

Todos ignoravam do que se tratava, lamentando o povo que assim se fechasse uma casa de instrução que era considerada a Academia Açoriana.

In Gervásio Lima, Breviário Açoreano, p. 244, Angra do Heroísmo, Tip. Editora Andrade, 1935.

Fonte: CMAH