Deposição do Pó do Panteão dos Cabrais junto da Estátua de Gonçalo Velho Cabral

Os Presidentes das Câmaras de Ponta Delgada e de Belmonte, Maria José Lemos Duarte e António Dias Rocha, respetivamente, procederam ontem à deposição do Pó do Panteão dos Cabrais junto à Estátua de Gonçalo Velho Cabral.

Uma iniciativa que surge no âmbito do Protocolo de Geminação entre os dois Municípios, assinado em julho, no pressuposto da partilha de laços históricos e culturais e do interesse comum em aprofundar a cooperação bilateral.

No Panteão dos Cabrais estão os restos mortais de Pedro Álvares Cabral, natural de Belmonte e descobridor do Brasil. Em julho, a Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, na sua deslocação a Belmonte, recebeu uma porção de pó deste Monumento Nacional que agora se encontra na Praça Gonçalo Velho Cabral, junto à estátua de Gonçalo Velho Cabral, povoador de São Miguel e de Santa Maria e seu primeiro Capitão Donatário.

Segundo Maria José Lemos Duarte, com a deposição do Pó do Panteão dos Cabrais junto à Estátua de Gonçalo Velho Cabral “fica inscrita, na porta de entrada no concelho, na ilha de São Miguel e nos Açores, mais uma expressão da partilha, entre Ponta Delgada e Belmonte, de um legado genético e identitário tão bem representado pela família Álvares Cabral”, presente ontem neste “evento de grande simbolismo e de evocação de um património histórico e cultural comum”.

“São por demais evidentes os laços entre Ponta Delgada e Belmonte: partilhamos o culto a Nossa Senhora da Esperança que, aqui em Ponta Delgada, é a padroeira de um dos mais importantes conventos da Região e do País, onde está o Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, ao qual os açorianos oferecem uma fé e devoção seculares” – acrescentou.

A Presidente adiantou ainda que “partilhamos legados hebraicos que importa preservar e aprofundar a sua interpretação, porque este é um património que nos identifica e que nos inscreve no roteiro mundial do legado hebraico, com tudo o que isso significa e implica no plano histórico, cultural, social e económico”.

Referiu, por exemplo, “a existência, em cada um dos concelhos, de uma Sinagoga, como espaços que atestam a presença hebraica, ambas de matriz sefardita, quer em Ponta Delgada, quer em Belmonte, sobre as quais e através das quais tem sido feito um percurso de valorização, divulgação e promoção dos valores culturais hebraicos”.

“Acredito convictamente que as decisões institucionais que celebrámos este ano, como é o caso do Protocolo de Geminação entre Ponta Delgada e Belmonte e o Protocolo de Cooperação e Desenvolvimento da Cultura Hebraica entre o Museu Hebraico Sahar Hassamaim – antiga Sinagoga de Ponta Delgada e o Museu Judaico de Belmonte, vão materializar-se numa cada vez maior e mais efetiva cooperação bilateral e aproximação das nossas comunidades.
Estes dois documentos dão expressão institucional e política a uma relação histórica que se quer cada vez mais de cooperação cultural entre os dois municípios” – acentuou. Já o Presidente da Câmara Municipal de Belmonte, António Dias Rocha, afirmou que esta Vila do distrito de Castelo Branco “só tem a ganhar com a geminação com Ponta Delgada e quer aprofundar os laços de amizade e cooperação em termos culturais e patrimoniais com esta cidade”.
“Ponta Delgada é uma cidade de vale a pena”, disse o autarca de Belmonte.

A anteceder a deposição do Pó do Panteão dos Cabrais junto à Estátua de Gonçalo Velho Cabral, Maria José Lemos Duarte recebeu, em audiência de apresentação de cumprimentos, o Presidente da Câmara Municipal de Belmonte e Joaquim Costa, presidente da Empresa Municipal de Belmonte.

Depois da cerimónia na Praça Gonçalo Velho Cabral, a Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada acompanhou a comitiva de Belmonte nas visitas ao Santuário de Nossa Senhora da Esperança, ao Jardim António Borges e ao Palácio de Santana para apresentação de cumprimentos ao Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro.

AA/CMPD