Gaudêncio traça linhas para o futuro porque “a Ribeira Grande não pode parar”

Alexandre Gaudêncio traçou um paralelismo entre o passado, o presente e o futuro baseado nas palavras do padre Edmundo Pacheco que dizia que “as cidades não nascem cidades, nascem como pequenos lugares e vão evoluindo ao longo do tempo”, recordou, na sessão solene comemorativa do 40.º aniversário da elevação da Ribeira Grande a cidade, cerimónia que teve lugar no Teatro Ribeiragrandense.

Para além do paralelismo, o presidente da Câmara da Ribeira Grande traçou linhas para o futuro que vão ao encontro do crescimento que se tem verificado ao longo dos últimos anos. “A nossa cidade não pode parar e é por isso que desenvolvemos, recentemente, o Plano Estratégico 2020-2030, que reflete a nossa visão para esta década”, apontou.

Alexandre Gaudêncio entende que “este documento extravasa os mandatos autárquicos e tem o condão de nos colocar a olhar para o futuro coletivo sem olhar a eleições ou a questões político-partidárias. O Poder Local não pode ficar refém dos ímpetos momentâneos de quem governa e não ter uma visão de futuro”, sublinhou.

O autarca elencou as prioridades: “Queremos chegar a 2030 como um concelho mais inclusivo, resiliente e conectado, que responde aos desafios da transição digital e das alterações climáticas, sustentado por cinco eixos estratégicos: apoiar as pessoas; potenciar uma economia resiliente e inovadora; promover a transição climática; potenciar a coesão e a atratividade do concelho e fomentar a cooperação e cidadania”.

É com base nestes pilares que “têm em conta as novas possibilidades de financiamento através do novo Quadro Comunitário de Apoio 2021-2027”, que Alexandre Gaudêncio lançou um repto ao presidente do governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, presente na cerimónia.

“Gostaria de desafiar o novo executivo regional a olhar para as autarquias locais com uma nova visão. Como sabe, o Poder Local tem a capacidade de chegar mais perto e mais rapidamente às pessoas. A descentralização de competências é o caminho a seguir, desde que acompanhado pelo respetivo financiamento. Por outro lado, e sabendo da sua visão para este novo mandato como presidente dos açorianos, é importante que o governo seja um parceiro ativo de todos os projetos que temos em carteira”, disse.

E concretizou: “Falo, concretamente, da requalificação marítima da cidade. Têm sido os diversos executivos camarários que têm colocado as verbas municipais naquele importante investimento, mas que se têm revelado insuficientes para a sua conclusão. É que a capacidade orçamental do município apenas permite fazer a obra por fases, arrastando-se, por isso, no tempo. Só com o apoio do executivo regional é que poderemos terminar a nova frente mar.”

“Para além disso, outros são os desafios que por estarem sob a alçada regional não podem continuar esquecidos. É o caso da requalificação do porto de Santa Iria, na Ribeirinha, o caminho das Caldeiras, na Matriz, e a proteção da orla marítima na zona poente do concelho. As acessibilidades às freguesias a nascente é também uma reivindicação legítima desta Câmara e de toda a população que reside nas freguesias”, acrescentou.

Alexandre Gaudêncio foi mais longe e adiantou que “os ribeiragrandenses não podem continuar de mão estendida à espera que chegue a sua vez para serem devidamente reconhecidos pelas entidades regionais. É por isso que reivindicamos mais e melhor para a nossa terra, fazendo-nos valer das nossas potencialidades mas, acima de tudo, do nosso caráter e da nossa capacidade de trabalho e visão de futuro. Queiram todos remar para o mesmo lado e mais depressa levaremos a nossa terra a bom porto. Da nossa parte podem contar com todo o empenho e dedicação para continuarmos a trabalhar em prol da nossa terra”, frisou.

O presidente da Câmara da Ribeira Grande também fez um balanço do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos oito anos. “Investimos numa Câmara mais humana e apoiamos aqueles que verdadeiramente necessitam de ajuda. Na habitação, para além dos inúmeros apoios, desenvolvemos a Estratégia Local de Habitação, que será um dos documentos mais importantes para os próximos anos”, apontou.

“Para além de fazer um retrato exaustivo da realidade habitacional no concelho, coloca uma série de soluções para os problemas identificados, destacando-se a necessidade de investimento em programas de habitação jovem para criar oportunidades para que os jovens casais possam ter uma habitação a preços justos na nossa terra”, explicou.

Ao todo serão investidos cerca de 50 milhões de euros, valor que poderá ser suportado a fundo perdido por programas comunitários e que colocará a Ribeira Grande na “dianteira de uma verdadeira política habitacional inclusiva e acessível a qualquer pessoa”, frisou o autarca.

Em matéria de investimentos públicos “realizamos importantes obras nos últimos anos, destacando-se a requalificação urbana da cidade, como o largo Hintze Ribeiro, a praça do Emigrante ou o largo das Freiras, passando pelo mercado municipal, a rede de ciclovias, a praça padre António Vieira, em Rabo de Peixe, ou a frente mar com a construção da nova ponte sobre o Atlântico. Foram cerca de 25 milhões de euros investidos, sendo que todos esses projetos foram comparticipados por fundos comunitários”, recordou.

Quanto ao ambiente, Alexandre Gaudêncio lembrou que “demos uma nova atenção à rede de saneamento básico ao investir em todas as freguesias nos últimos anos, identificando e priorizando as obras de acordo com a capacidade orçamental anual da autarquia, tendo melhorado significativamente a taxa de saneamento básico com maior incidência nas freguesias que compõem a cidade”.

Ainda a este nível, o presidente da Câmara da Ribeira Grande anunciou que “está apenas à espera do visto do Tribunal de Contas a empreitada que irá levar o tratamento de águas residuais da cidade até à ETAR da Rabo de Peixe, um investimento previsto de 2,2 milhões que será uma das mais importantes obras nesta área.”

Na cultura e no desporto “também temos feito um trabalho de dinamização que se tem revelado uma aposta ganha, na medida em que fomos pioneiros em celebrar protocolos com as diversas associações desportivas, merecendo por isso o reconhecimento de todos. Para além disso, aumentamos os apoios às associações locais, onde se destaca as filarmónicas e as IPSS’s, apoiamos grupos informais e desenvolvemos parcerias para que possam continuar a sua atividade em local condigno, adaptando a antiga escola Central a Casa das Associações”.

Quanto ao trabalho em rede com as juntas de freguesia, Alexandre Gaudêncio recordou que “celebramos protocolos com todas e aumentamos o valor das transferências, quer ao abrigo de contratos plurianuais, quer através de contratos interadministrativos. Isto porque acreditamos que as juntas são verdadeiros polos de desenvolvimento local, estão mais perto das pessoas e das suas reais necessidades.Alexandre Gaudêncio deixou ainda uma palavra de apreço e gratidão aos homenageados com a Medalha Municipal de Mérito – Grau Ouro, nomeadamente Carlos Eduardo de Sousa Arruda Teixeira, Maria Luísa de Amaral Tavares, Maria Urânia Borges Pereira e o Clube Desportivo Rabo de Peixe. “São um exemplo daquilo que defendemos para os nossos concidadãos”, resumiu.

AA/CMRG