Governo quer valorizar formação dos atletas Açorianos

O Secretário Regional da Saúde e Desporto do Governo dos Açores esclareceu que a recente alteração à legislação aprovada no Parlamento Regional que permite os apoios ao desporto Açoriano tem na génese uma “reestruturação conceptual e estratégica, que integra uma valorização da formação e do atleta Açoriano”. 

Em conferência de imprensa realizada em Angra do Heroísmo, o governante explicou as alterações aos conceitos de atleta formado nos Açores, atleta formado no clube e atleta internacional.

No caso do atleta formado nos Açores, este “passa a poder ser formado em qualquer modalidade e não numa única modalidade”, o que “empobrecia o desenvolvimento desportivo”, considerou.

O conceito de atleta formado no clube é suportado agora em todas as modalidades e não apenas numa, o que para o Secretário Regional da Saúde e Desporto “promove o ecletismo dos clubes, fator enriquecedor da prática desportiva”.

Finalmente, o conceito do atleta internacional abre a porta aos atletas que, não sendo formados nos Açores, mas registam internacionalizações em representação do respetivo país, possam ser considerados para este efeito.

Neste âmbito, o Diretor Regional do Desporto, presente também na conferência de imprensa, considerou que “existem muitos atletas em Portugal que passam por uma experiência enquanto internacionais ao serviço das respetivas seleções nacionais, e que tiveram um enquadramento na sua formação em grandes clubes”.

“Estes atletas chegaram ao fim do seu escalão de juniores e, na transição de juniores para seniores, não têm uma janela de oportunidades para competitivamente poderem expressar o seu valor e, por essa via, melhorar”, salientou Luís Carlos Couto.

De acordo com o responsável, na última década, no caso do futebol, “536 jogadores foram internacionais nas Seleções Nacionais Sub-15 a Sub-19, sendo que 342 jogadores atingiram as ligas profissionais portuguesas (64%) e 194 jogadores não atingiram as ligas profissionais portuguesas, tendo jogado em divisões amadoras ou nem jogado como seniores (36%). Destes, apenas dois alcançaram uma 1.ª Liga no estrangeiro, conforme o estudo do especialista na matéria Alexandre Silva”, salientou.

Neste sentido, Luís Carlos Couto adiantou que quer as competições dos quadros competitivos inferiores, quer as séries Açores, podem ser espaços de competição capazes de integrar estes atletas e promover o seu desenvolvimento num quadro competitivo mais adequado às suas capacidades.

Clélio Meneses esclareceu ainda que esta reestruturação decorre igualmente do facto de a Federação Portuguesa de Futebol ter criado mais um nível competitivo, inferior, já que existiam dois níveis, o superior e intermédio.

E garantiu que esta alteração “não significa diminuição de apoios aos clubes, fazendo com que, pelo contrário, mais clubes possam beneficiar deste apoio”.

O Secretário Regional alertou ainda “que a Região não deve ser entendida como financiadora dos clubes”.

E deixou claro que a mesma “apoia, suporta custos, no sentido de implementar uma política de desenvolvimento desportivo que não deve ser a base e o exclusivo do financiamento das atividades dos clubes”.

AA/GRA