Inauguração da escultura da autoria de Luísa Constantina doada ao Município no Jardim António Borges

A Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada inaugurou, no Jardim António Borges, uma escultura da autoria de Luísa Constantina.

O nu feminino, em bronze, de 1986, parte das provas de agregação da Escola Superior de Belas Artes, onde a escultora estudou e lecionou, foi doado ao Município de Ponta Delgada pelos seus filhos Fausto e Luís Bernardo de Brito e Abreu — aos quais a autarca expressou o seu “profundo agradecimento”.

“No Jardim António Borges reside agora a expressão artística de uma figura ímpar da cultura de Ponta Delgada, da Região e do País, materializada numa belíssima obra de arte que vem acrescentar valor cultural e patrimonial a um dos nossos principais jardins históricos, que tem beneficiado, nos últimos anos, de um ambicioso projeto municipal de conservação e requalificação para benefício da comunidade”, afirmou.

Segundo Maria José Lemos Duarte, a escultura constitui “um novo polo de atração para o pulmão verde da cidade, que nos orgulha pelo seu património botânico e paisagístico, pela sua inserção urbana, pela sua função ambiental e, cada vez mais, pelo diálogo aqui inscrito entre a arquitetura paisagística e a criação artística nas suas diferentes expressões”.

Natural de Ponta Delgada, Luísa Constantina de Ataíde da Costa Gomes (1941-1990) foi recordada pela Presidente da autarquia como uma “artista fiel ao escopro, ao martelo e aos materiais vulcânicos da sua terra-mãe, que tanto amava”, tendo esculpido uma “obra que é a combinação metafórica da origem natural da sua ilha com um imaginário inquieto e persistente no que à interpretação da realidade diz respeito”.

“Luísa Constantina deixou-nos um património artístico espalhado pelos quatro continentes, tendo exposto, em mostras individuais ou coletivas, em Washington, Nova Iorque, Luanda, Macau, Beira, em Moçambique, ou Salisbúria, na Rodésia”, lembrou a Presidente, para afirmar que “ao seu talento fica associada a projeção da imagem de Ponta Delgada e dos Açores, enquanto territórios de arte e de criatividade”, disse.

Maria José Lemos Duarte destacou, também, o percurso cívico da escultura e a “generosidade com que sempre colocou o seu amor à arte ao serviço da promoção da cultura”, lembrando, por exemplo, a fundação, em 1980, da Academia das Artes dos Açores, “um projeto que se afirmou como um espaço aberto, plural, com o firme propósito de valorizar e dignificar a cultura artística em São Miguel e nos Açores”.

AA/CMPD