Inaugurado o Roteiro das Olarias da Vila

O Roteiro das Olarias, um projeto com um custo de cerca de 260 mil euros, candidatado a fundos comunitários, está concluído e apresenta à comunidade quatro espaços reestruturados, com o objetivo de contar a história da louça da Vila.

A inauguração do Roteiro das Olarias teve lugar a 11 de dezembro, na Olaria Mestre João da Rita, onde o Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo considerou o projeto “estruturante para a freguesia de São Pedro e para o Concelho”.

“Este projeto nasceu pela mão da Junta de Freguesia de São Pedro e foi, desde logo, muito acarinhado pela Câmara Municipal, atentas as condições quer de investimento, quer depois de manutenção, às quais a Junta de Freguesia, por si só, não teria os meios necessários para corresponder”, explicou o edil.  

Ricardo Rodrigues frisou que o projeto é importante para o Concelho, pela história e características que os imóveis restaurados perpetuam de uma grande atividade económica do seu passado, “mas também é importante para a ilha de São Miguel, dado que a louça da Vila e as suas diversas utilizações fizeram parte relevante do seu quotidiano”.

“Felizmente, ainda temos alguns oleiros e acreditamos que o projeto tem futuro, retomando uma tradição que envolveu muitos e verdadeiramente criativos oleiros. Pretendemos mostrar a locais e turistas aquilo que foi uma grande atividade económica no Concelho, mas também a arte que os nossos mestres podem emprestar, moldando o barro bruto em peças verdadeiramente artísticas”, reiterou.

O projeto contempla um percurso expositivo e interativo definido, que começa na Olaria do Mestre João da Rita.

Ali, há uma receção aos visitantes e funciona também uma loja onde serão vendidos produtos e materiais relativos à temática da cerâmica, e onde artesãos podem apresentar e escoar os seus produtos. O objetivo é dinamizar o roteiro, salientando este património cultural e apelar a um turismo cultural diferenciado, para que a tradição não se perca.

Depois de visitarem o primeiro espaço, os visitantes rumam ao Forno Manuel Jacinto Carvalho, que outrora funcionou como forno coletivo e era alugado aos oleiros.

O espaço é dedicado à divulgação da história, através da apresentação de um vídeo, uma animação para crianças, relativa não só ao fabrico das peças de louça, mas também contando um pouco a importância da louça da Vila que era vendida em toda a ilha, numa altura em que não havia água canalizada e era necessário usar a talhinha de barro para carregar a água da fonte até ao grande talhão que a armazenava.

Para os visitantes que procurem conhecer profundamente este património, está acessível um documentário realizado pelo museu, com registos inéditos sobre esta arte Vila-franquense.

O terceiro espaço deste roteiro diz respeito à olaria do Mestre José Batata. A vida e obra de Mestre José Batata está patente nesse espaço. A obra através de um expositor com algumas das suas peças, e a vida, comentada através de uma entrevista gravada com o artista Tomás Borba Vieira. Num outro local desta mesma olaria há um espaço com vila-franquenses a trabalhar o barro.

O quarto espaço do roteiro é a Olaria-Museu Mestre António Batata, que antes da reestruturação era usada pelo Museu para realizar workshops e permitia que artesãos que trabalham o barro ali dessem uso às três rodas originais que ainda lá existem.

O espaço mantém a traça original, o chão é de terra batida e as paredes em alvenaria. Há também uma mufla, um forno de cozer barro, que é comunitário e está disponível para quem ali vá trabalhar o barro.

AA/CMVFC