Mantém-se crise sísmica em São Jorge com registo diário de sismos a subir

Segundo o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA), a crise sismovulcânica que se tem vindo a registar na ilha de S. Jorge desde as 16:05 (hora local = UTC-1) do dia 19 de março se mantém, estendendo-se, grosso modo, ao longo de uma faixa com direção WNW-ESE, desde a Ponta dos Rosais até à zona do Norte Pequeno – Silveira.

O sismo mais energético desta crise ocorreu no dia 29 de março, às 21:56 (hora local = UTC), teve epicentro a cerca de 2 km a SSW de Velas e uma magnitude 3,8 (Richter). Até ao momento foram identificados cerca de 249 sismos sentidos pela população.

Ao longo do dia ontem, 16 de abril, a análise preliminar dos registos sísmicos permitiu contabilizar cerca de 253 eventos (três dos quais sentidos), tendo a atividade sísmica aumentado em relação ao observado no dia anterior. Entre as 00:00 e as 22:00 de hoje, dia 17 de abril,  foram contabilizados aproximadamente 251 eventos. A maioria dos sismos registados até ao momento são de baixa magnitude e evidenciam uma origem de natureza tectónica.

A campanha de medição de gases e temperatura no solo que o CIVISA vem desenvolvendo desde o início desta crise na área epicentral não resultou, até à data, na identificação de qualquer anomalia, continuando os levantamentos de campo a decorrer nos próximos dias.

No âmbito da monitorização geodésica, o CIVISA, em colaboração com outras entidades, reforçou a rede de observação baseada em estações GNSS e continua a proceder ao tratamento de imagens de satélite. Os últimos dados disponíveis não revelam qualquer deformação significativa.

A integração da informação disponível permite concluir que as estruturas tectónicas onde se desenvolveram as erupções históricas de 1580 e 1808, e a crise sismovulcânica de 1964, no Sistema Vulcânico Fissural de Manadas, foram reativadas, sendo de admitir a ocorrência de uma intrusão magmática em profundidade.

O CIVISA alerta para a possibilidade de ocorrência de sismos que podem atingir magnitudes mais elevadas do que as registadas até ao momento, assim como para o perigo de ocorrência de derrocadas potenciadas pela atividade sísmica. Existe a possibilidade real de se poder vir a registar uma erupção vulcânica, mas não há evidências de que tal esteja iminente.

AA/CIVISA