Museu de Arte Sacra quer ver coleção declarada como de interesse público regional

O Museu de Arte Sacra da Horta recebeu a última remessa do seu espólio de arte sacra que ainda se encontrava no Museu da Horta.

A cerimónia, que celebrou a finalização deste processo de transferência do espólio de arte sacra da diocese, da ordem Terceira de São Francisco e da ordem Terceira do Carmo e da Matriz de São Salvador da Horta, que se encontrava à guarda do Museu da Horta, em exposição, e que tinha sido iniciada no ano passado, teve lugar esta terça-feira e juntou o Presidente da Câmara e os diretores dos dois Museus.

“Agora que as peças regressaram à sua casa esperamos que o Governo Regional reconheça o interesse público regional deste acervo exposto no Museu de Arte Sacra da Horta e com esse estatuto possamos protocolar um apoio financeiro que viabilize a existência e a expansão dos trabalhos desta instituição”, referiu ao Igreja Açores o padre Marco Luciano Carvalho.

O sacerdote defende que o Museu de Arte Sacra possa integrar a Rede de Museus regionais, mantendo a sua autonomia e a sua tutela própria que é da Igreja.

Ainda assim e, dada a relevância artística e patrimonial do seu espólio museológico, composto por centenas de peças, “de valor muito significativo”, esta Museu “deve contar com outro tipo de apoios para além daqueles que já temos da autarquia” referiu ainda.

As peças que foram agora transferidas do Museu da Horta para o de Arte Sacra já estão inventariadas e “felizmente” conseguiu-se reunir um “espólio que estava muito disperso, algum dele em casas particulares outros em depósito, mas tudo chegou a bom porto e isso é que importa relevar” disse ainda.

O ano promete assim ser de grandes desafios, com várias exposições na forja. A primeira, já no próximo mês, desenvolve uma teologia do martírio e permitirá ver imagens de santos, vítimas do martírio. A exposição integra-se no programa comemorativo do centenário da Festa de Santa Cecília.

Numa parceria com o Museu da Horta, será ainda promovida uma exposição de pintura contemporânea, com quadros alusivos à Paixão de Cristo. Mais próxima do Natal será desenvolvida a exposição com estatuária de Meninos Jesus.

Durante o ano, o Museu irá ter uma exposição sobre piedade popular, sendo a pretensão expor as coroas mais antigas dos impérios da ilha do Faial.

O espaço museológico, aberto a 15 de junho de 2021, distribui-se por três salas da Igreja do Carmo, um edifício amplo e que tem sido alvo de obras de restauro e reabilitação pela Ordem Terceira do Carmo, com o apoio de entidades públicas nomeadamente autarquia e Governo Regional.

O Museu possui uma sala de exposição permanente e duas outras com exposições temporárias e conta no seu espólio com peças de estatuária, ourivesaria e paramentaria, de entre as quais se destacam uma coleção de esculturas flamengas do século XVI e outras estátuas religiosas dos séculos XVII e XVIII, talha dourada, azuleijaria e pintura. Realça-se, ainda, o mobiliário sacro, a paramentaria do século XVIII e as pratas dos séculos XVI, XVII e XVIII.

AA/IA