Novos sismos sentidos em São Jorge

No âmbito do ponto de situação sobre a crise sísmica que se faz sentir na ilha de São Jorge, segundo o CIVISA – Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores, ao longo do dia de 11 de maio, a análise preliminar dos registos sísmicos permitiu contabilizar cerca de 154 eventos, estando a atividade sísmica estacionária em relação ao observado no dia anterior. Entre as 00:00 e as 22:00 do dia 12 de maio foram contabilizados aproximadamente 143 eventos (dois dos quais sentidos). A maioria dos sismos registados até ao momento são de baixa magnitude e evidenciam uma origem de natureza tectónica.​​

A campanha de medição de gases e temperatura no solo que o CIVISA vem desenvolvendo desde o início desta crise na área epicentral não resultou, até à data, na identificação de qualquer anomalia, continuando os levantamentos de campo a decorrer nos próximos dias.

No âmbito da monitorização geodésica, o CIVISA, em colaboração com outras entidades, reforçou a rede de observação baseada em estações GNSS e continua a proceder ao tratamento de imagens de satélite. Os últimos dados disponíveis não revelam qualquer deformação significativa.

A integração da informação disponível permite concluir que as estruturas tectónicas onde se desenvolveram as erupções históricas de 1580 e 1808, e a crise sismovulcânica de 1964, no Sistema Vulcânico Fissural de Manadas, foram reativadas, sendo de admitir a ocorrência de uma intrusão magmática em profundidade.

Ainda segundo o CIVISA a crise sismovulcânica que se tem vindo a registar na ilha de S. Jorge desde as 16:05 (hora local = UTC-1) do dia 19 de março mantém-se, estendendo-se, grosso modo, ao longo de uma faixa com direção WNW-ESE, desde a Ponta dos Rosais até à zona do Norte Pequeno – Silveira.

O sismo mais energético desta crise ocorreu no dia 29 de março, às 21:56 (hora local = UTC), teve epicentro a cerca de 2 km a SSW de Velas e uma magnitude 3,8 (Richter). Até ao momento foram identificados cerca de 273 sismos sentidos pela população.

O CIVISA alerta para a possibilidade de ocorrência de sismos que podem atingir magnitudes mais elevadas do que as registadas até ao momento, assim como para o perigo de ocorrência de derrocadas potenciadas pela atividade sísmica. Existe a possibilidade real de se poder vir a registar uma erupção vulcânica, mas não há evidências de que tal esteja iminente.​ Assim sendo o CIVISA mantém o ALERTA V4.

AA/CIVISA