O diálogo entre a religião e a ciência é fundamental para haver uma maior fraternidade

Num mundo em que ciência e religião estão separadas, o diálogo entre ambas “é fundamental” para a vida do homem, afirmou o físico Carlos Fiolhais na última conferência das IV Jornadas de Teologia, promovidas pelo Seminário de Angra e que decorreram em ambiente digital.

“A ciência fornece conhecimentos e soluções mas não valores, e  esses valores, que são necessários, podem ser dados pela religião que os deve sugerir mas não impor”, referiu o cientista sublinhando a urgência “de um diálogo franco” entre a ciência e a religião.

“Para haver mais fraternidade temos de ter um maior diálogo entre a ciência e a religião” afirmou durante a conferência onde abordou a relação entre a fé e a Ciência.

O cientista procurou esclarecer que muitos dos equívocos na relação entre a religião e a ciência resultaram de atropelos entre uma e outra, muitos deles por tentativas falhadas de interpretação teológica da ciência, com procuras sucessivas de justificar cientificamente a existência de Deus.

“Não se pode provar cientificamente a existência ou a inexistência de Deus;  Deus não está sujeito à confirmação cientifica” referiu.

“Se é certo que ambas procuram penetrar no mistério, a verdade é que esse mistério é diferente. No caso da fé o mistério que é Deus está para lá de toda a compreensão”, esclareceu.

“As duas correspondem a necessidades do homem. Mas há coisas que se podem estudar através do método cientifico e há outras que só o espírito santo pode falar ao coração dos homens” concluiu lembrando que esta questão está resolvida desde o tempo de Galileu apesar das posteriores interpretações teológicas da ciência que nunca deram bons resultados, nomeadamente na tentativa de muitas correntes cientificas terem procurado justificar ou negar a existência de Deus.

A ciência e religião não só “podem coexistir” como estão como que forçadas a “entenderem-se” para um bem maior que é o futuro da humanidade.

As IV Jornadas de Teologia terminaram com uma intervenção breve do bispo de Angra que, para além dos agradecimentos ao Seminário e a todos os participantes, sublinhou a importância do tema destas jornadas sobre Ateísmo e fé,  que convidam a Igreja e a sociedade a um “debate renovado” sobre as grandes questões que atravessam a humanidade que precisa de uma relação com o transcendente.

“A maior pobreza que podemos viver é a pobreza de Deus” afirmou D. João Lavrador citando o Papa Bento XVI, ao interpelar para a necessidade permanente que o homem tem de procurar compreender o mistério de Deus.

As IV Jornadas de Teologia foram organizadas, uma vez mais, pelo Seminário Episcopal de Angra.

AA/IA