“O Povo Lagoense é uma lição de História”, diz Júlio Oliveira, escritor lagoense de 23 anos

Júlio Tavares Oliveira, jovem escritor lagoense, tem 23 anos, é natural da Lagoa – São Miguel, Açores, e sonha, um dia “ser Presidente de Câmara”.

“Não escondo: um dia, gostava de ser Presidente de Câmara, mas, não à toa. Para isso, preciso de conhecer cada canto da Lagoa, cada rua, cada travessa, canada, cada meandro da sua história”.

Diz que “toda a gente gostaria de o ser, a verdade é essa”, mas que somente quem é virtuoso o pode ser, e que “não o ambiciona pelo mero poder, mas sim pela ambição de mudar as coisas que estão mal feitas”.

Confessa ainda que “não é militante de partidos políticos”.

Mais afirma que, se um dia o for, “propósito que considera muito difícil”, “será empregado profissionalmente, e exercerá o cargo, como fez o Agente Técnico João da Mota Amaral, sem auferir qualquer tipo de remuneração, da qual abdicarei”, uma vez que “a política não deve ser um emprego, mas uma missão comunitária”.

“Nunca paguei uma quota partidária na vida, apenas fiz parte de uma juventude partidária, da qual me desfiliei, já por duas vezes. E entendo que a minha posição cívica na sociedade é completamente independente dos partidos políticos, pelos quais nunca fiz uma arruada que fosse, campanha que fosse. Nunca me viram a segurar uma bandeira com cor. Assim, se um dia exercer algum cargo político, autárquico, que seja como Independente, sem partido associado, herdando também um legado de independência na política que me é muito familiar, e quase genético”, refere, em entrevista.

Diz que “a Lagoa é terra de gente boa, mas que falta, claramente, um plano Cultural focalizado não para os eventos nem para a edificação, ou para os superficialismos da fotografia, mas para a construção de massa crítica, de pensamento crítico inteirado”.

“Falta claramente que se eduque pela Cultura, e não para a massificação da Cultura, para a Cultura de massas”.

Fundador de duas associações sem fins lucrativos na Lagoa – a Associação União Solidária – A. U. S., de que é presidente desde 19 de fevereiro de 2021, e a Associação Jovem Lagoense, de que foi presidente da Direção durante alguns anos, Júlio Oliveira já representou a Lagoa regionalmente, nacionalmente e até internacionalmente, aquando do Prémio Parlamento Europeu, que venceu, em 2019. Aluno de excelência no Secundário, ingressou no ISCTE, em Ciência Política, mas retornou aos Açores, mais propriamente à sua Lagoa, pouco depois.

Foi um dos jovens distinguidos, pelo Correio dos Açores, em 2018, na categoria “Associativismo”, pelo trabalho meritório realizado pela “Associação Jovem Lagoense” na Lagoa. É Vogal da Direção de uma IPSS no concelho onde nasceu e, para além disso, deu catequese na sua paróquia, a jovens, durante ano e meio, até abandonar “por ter regressado à Universidade”, isto “para concluir o curso de Estudos Portugueses e Ingleses”, que frequenta, nos Açores.

Durante 8 meses, trabalhou, como estagiário, no ACAC – Arquipélago Centro de Artes Contemporâneas dos Açores, onde, declara, “aprendeu imenso”.

Tem 10 livros publicados. Três deles “sobre a Lagoa, nomeadamente sobre o Clero da Lagoa”.

É um claro apaixonado pela Filosofia, pelos Clássicos, pela História da Lagoa, e pela Literatura (Poesia, História, Biografias, Romance Histórico e Ensaio), e diz-se “focado nos seus objetivos pessoais, profissionais e académicos”.

“Passo algumas manhãs no Arquivo Municipal de Lagoa, a pesquisar alguns dados históricos, em manuscritos, ou então na Biblioteca, em livros, sobre gente da Lagoa, sobre antigos presidentes de Junta, antigos presidentes de Câmara, antigos administradores do Concelho, sobre presidentes de Comissões Executivas, a tentar captar o legado, a obra, a vida deles, isto, também, na sequência do livro «Lagoenses Distintos», que irei lançar, se Deus quiser, para o ano”.

“Falo com pessoas na rua”, diz, acrescentando “e, sempre que falo, deslindo algo sobre a História da Lagoa, é uma lição. O Povo Lagoense é uma lição de História”.

“Abordo, também, em livros, a pesquisa da própria toponímia, dos topónimos, antropónimos, geónimos, nomes curiosos, das ruas da Lagoa, das canadas, das travessas. Desvendo todas as pessoas que fizeram esta terra, tento conhecer, de todas, um pouco, desde que haja um mínimo registo, porque um verdadeiro predisposto a autarca tem que conhecer bem a terra a que se predispõe gerir”, termina, declarando que a sua “constante consulta das atas de Vereação e da Assembleia Municipal assume-se como fundamental”.

AA