PO 2030 tem de ser reformulado

O deputado independente Carlos Furtado enviou o seu parecer ao Programa Operacional PO 2030, no seguimento do espaço aberto à receção de contributos dos partidos e sociedade em geral.

Da apreciação ao documento foram feitas várias críticas ao modelo de desenvolvimento levado a efeito até agora nos Açores e que resultou num fracasso a nível social, económico e de coesão, perante a gestão e aplicação dos fundos comunitários que até agora chegaram aos Açores.

Quanto à implementação do PO 2030, o parlamentar identifica como excessiva a alocação de valores às “entidades públicas”, quando comparados com a objetividade das ações a levar a efeito.

A falta de um verdadeiro plano estratégico para os Açores, como se tem verificado ao longo dos anos, é segundo Carlos Furtado, um problema que urge resolver, para assim se poder traçar um eficaz programa de apoios comunitários, sendo que a manter-se a atual situação, no fim deste novo quadro comunitário, os Açores vão estar mais pobres e mais afastados das médias comunitárias.

O parecer do deputado independente aponta falta de “foco” na dinamização da atividade económica, que é determinante para o sucesso da economia açoriana e consequentemente, condição essencial para alavancar a qualidade de vida dos açorianos e fixar populações.

Na apreciação foram identificados vários setores, com grande falta de intervenção, como sejam; a promoção de outros setores do turismo, a rentabilidade do setor primário, nomeadamente dos recursos marinhos e terrestres, que são fundamentais na criação de riqueza e exportação, pelo facto de que produzem bens transacionáveis.

A formação de ativos em áreas que possam fomentar a promoção da região, a implementação de políticas de transportes rigorosas, eficazes e tendencialmente privadas, nos transportes marítimos, aéreos e terrestres, foram também identificadas como áreas que merecem mais ação por parte do novo PO, que deverá também ter o devido enfoque em assuntos de melhoria dos serviços de saúde e acesso a habitação a preços adequados aos padrões sociais reais na região.

Na parte final, o parecer aponta a necessidade de tornar mais claras as políticas ambientais, nomeadamente em termos de resíduos, alertando ainda para a necessidade de construir compromissos entre a preservação da nossa identidade cultural e paisagística, mas tirando o devido proveito destes inestimáveis valores que definem a região.

O documento termina, com a observação de que há pouca mensagem para a classe média neste PO 2030, sendo que por esta razão, o mesmo deve ser reformulado, com vista a promover melhores oportunidades à dita classe média, que é a principal via para potenciar a elevação dos padrões de vida de forma generalizada na região.

AA/CF