PS acusa governo de ceder à pressão política e abdica dos critérios técnicos na luta contra a pandemia

As mais recentes alterações anunciadas pelo Governo Regional na luta contra a pandemia nos, merecem críticas e alertas por parte do Grupo Parlamentar do PS/Açores.

Em conferência de imprensa, o deputado Tiago Lopes adiantou “se assiste a alterações profundas, perigosas até, e injustificadas do ponto de vista técnico, que revelam que este Governo abdicou da defesa da saúde pública, cedendo a pressões, agindo completamente ao contrário do que anunciou e sendo incapaz de comunicar com assertividade e clareza”.

“Neste momento é inequívoco que o combate à Pandemia provocada pela COVID-19 tem por base posições políticas em detrimento de posições técnicas”, sublinhou o deputado do PS/Açores.

Igualmente preocupante, acrescenta o parlamentar, “são as contradições públicas entre o que é transmitido pelo Secretário Regional da Saúde e do Desporto, pelo Coordenador do Processo de Vacinação e pelo Presidente da Comissão de Acompanhamento da Luta contra a Pandemia que, como ficamos a saber, está demissionário desde há quase três semanas, por discordar das opções do Governo nas medidas a implementar”.

Um exemplo desse desgoverno diz respeito à vacinação das crianças e jovens acima dos 12 anos: “Dentro de sensivelmente um mês vai começar o próximo ano letivo e, considerando a posição assumida pelo Presidente da Comissão de Acompanhamento, não se compreende a decisão ontem assumida pelo Secretário Regional da Saúde e do Desporto de não se proceder à vacinação das crianças e jovens acima dos 12 anos de idade”.

“O que podem esperar todos os encarregados de educação que ainda não sabem como vai o Governo proceder? Se os alunos não vão ser vacinados, que medidas de proteção vão ser tomadas?”, questiona Tiago Lopes, considerando que a falta de respostas do Governo “é preocupante e reveladora de que não há uma estratégia definida, há sim o tomar de decisões consoante as pressões de que são alvo”.

Tiago Lopes dúvida, também, dos critérios definidos na nova matriz de risco: “São profundamente questionáveis esses critérios, desde logo pelo facto de colocar o número de óbitos ocorridos numa semana como um dos fundamentos para a implementação ou não implementação de medidas de controlo da disseminação do vírus SARS-CoV-2. A vida humana deve ser sempre salvaguardada e preservada e um Governo não pode alicerçar a sua intervenção no número de mortes registadas quando tem os meios e os recursos necessários para as evitar”.

Ainda sobre a nova matriz de risco, alerta que “a abolição de testes ao sexto dia, quer nas deslocações para a Região quer nas deslocações interilhas, irá retirar um dos mecanismos de monitorização e controlo da propagação do vírus SARS-CoV-2 que irá, por sua vez, influir determinantemente na incidência de novos casos registados”.

Tiago Lopes refere ainda que, “não obstante tenha sido afirmado pelo Secretário Regional da Saúde e do Desporto que a Região dispõe dos meios e recursos necessários para vacinar a população, é inaceitável que o Governante coloque o ónus do não incremento da taxa de vacinação na Região e o atingimento da imunidade de grupo nos cidadãos alegando que muitos destes não se querem vacinar”.

AA/PS