Registados 389 eventos no dia 03 de abril em São Jorge

Segundo o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) a crise sismovulcânica que se tem vindo a registar desde as 16:05 (hora local = UTC-1) do dia 19 de março na parte central da ilha de São Jorge, mais concretamente ao longo de uma faixa com direção WNW-ESE, num setor compreendido entre Velas e Fajã do Ouvidor, continua acima dos valores de referência.

O sismo mais energético desta crise ocorreu no dia 29 de março, às 21:56 (hora local = UTC), teve epicentro a cerca de 2 km a SSW de Velas e uma magnitude 3,8 (Richter). Até ao momento foram identificados cerca de 226 sismos sentidos pela população.

Ao longo do dia de ontem, 3 de abril, a análise preliminar dos registos sísmicos permitiu contabilizar cerca de 389 eventos, o que denota uma tendência decrescente relativamente ao dia anterior. Entre as 00:00 e as 10:00 de hoje foram contabilizados aproximadamente 94 eventos. Todos os sismos registados até ao momento são de baixa magnitude e evidenciam uma origem de natureza tectónica.​

A campanha de medição de gases e temperatura no solo que o CIVISA vem desenvolvendo desde o início desta crise na área epicentral não resultou, até à data, na identificação de qualquer anomalia, continuando os levantamentos de campo a decorrer nos próximos dias.

No âmbito da monitorização geodésica, o CIVISA, em colaboração com outras entidades, encontra-se a reforçar a rede de observação baseada em estações GNSS e a proceder ao tratamento de imagens de satélite. Os dados existentes até à data corroboram as observações sismológicas ao indiciarem a existência de alguma deformação na área epicentral.

A integração da informação disponível permite concluir que as estruturas tectónicas onde se desenvolveram as erupções históricas de 1580 e 1808, e a crise sismovulcânica de 1964, no Sistema Vulcânico Fissural de Manadas, foram reativadas, sendo de admitir a ocorrência de uma intrusão magmática em profundidade.

O CIVISA alerta para a possibilidade de ocorrência de sismos que podem atingir magnitudes mais elevadas do que as registadas até ao momento, assim como para o perigo de ocorrência de derrocadas potenciadas pela atividade sísmica. Existe a possibilidade real de se poder vir a registar uma erupção vulcânica, mas não há evidências de que tal esteja iminente.

AA/CIVISA