SINTAP apela faz apelo à igualdade em Dia Internacional da Mulher

Passaram dois anos desde que a COVID-19 foi declarada pandemia mundial, com consequências desastrosas para a vida das pessoas e para os seus meios de subsistência.

As perdas de emprego e de rendimentos a que assistimos não têm precedentes – aproximadamente quatro vezes mais importantes do que as verificadas durante a crise financeira global de 2009.

A crise abrange todas as pessoas, mas nem todas são afetadas da mesma forma. Se a vulnerabilidade social das mulheres é por regra alta, essa vulnerabilidade aumenta ainda mais para as mulheres jovens, as mulheres negras, as trabalhadoras migrantes, e as que trabalham na economia informal, incluindo as trabalhadoras domésticas e as mulheres portadoras de deficiência, que acabaram por ser as mais atingidas pela crise.

De acordo com os dados mais recentes, em 2021, o mundo do trabalho registou um decréscimo de 13 milhões de mulheres relativamente a 2019. Esta observação sublinha a urgência de implementar políticas e medidas que levem em conta a dimensão do género.

Tal como referiu o Secretário-geral das Nações Unidas, cerca de 269 milhões de novos empregos poderão ser criados até 2030 se duplicarmos os investimentos na área da educação, da saúde e dos serviços sociais. Investir nos cuidados – saúde, educação, assistência a crianças e pessoas idosas, ou noutros serviços sociais – permitiria a criação de milhões de novos empregos decentes para as mulheres, capacitando-as a participar ativamente na economia como um todo e contribuindo para uma construção de sociedades mais justas, mais inclusivas e mais dignas.

As mulheres representam dois terços da força de trabalho global. Mas muitas delas ainda são apanhadas em empregos mal pagos, precários ou informais.

O SINTAP exige empregos decentes para os profissionais do setor da prestação de cuidados, com condições de trabalho seguras, com salários adequados e proteção social.

Na Administração Pública portuguesa, onde os dados mais recentes referem que cerca de 60% dos postos de trabalho são ocupados por mulheres, a pandemia de SARS-CoV-2, em conjunto com tudo o que ela acarretou em termos de prestação de trabalho, tanto presencial como não presencial, tornou evidente a necessidade de haver um cada vez maior empenho no aprofundamento de todas as questões relacionadas com a conciliação entre a vida profissional e a vida pessoal e familiar.

O movimento sindical refere que continuará a lutar para tornar o investimento na saúde uma realidade em todo o mundo, de modo a garantir mais empregos decentes para as mulheres.

AA/SINTAP